terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Era uma vez....


Construo a minha vida em capítulos de contos-de-fadas. Sei que a realidade é outra e que não se deve enxergar o mundo com óculos cor-de-rosa mas até hoje só fui feliz assim. Criando fantasias. Deixando os meus sonhos transbordarem para a realidade. Para mim nada é impossível desde que exista a vontade real. Essa sim não tem o direito de ser só fantasia. Se não for de um jeito, será de outro, mas querendo será. Meus sonhos são minhas metas e os tenho com a certeza e fé que eles serão concretos. Mas, assim como toda história, existe o começo, o meio e o fim. O começo é a descoberta das escolhas, o construir das vontades, o molde do querer e rejeitar. O meio é a luta pela conquista, a batalha para o sonho virar realidade. É o período em que o mal está por cima e o moçinho ainda bem fraco luta para reerguer-se e alcançar seu sonho. O fim, bom, o fim não é o término.Todo final é a primeira etapa para um novo recomeço. É chegada agora o verdadeiro conto-de-fadas.Quando o príncipe encontra a princesa e vão para o seu castelo já todo mobiliado com uma linda carruagem na garagem. Ou a princesa bem-sucedida profissionalmente, independente, carreira boa. Ou o príncipe solteiro e feliz com sua vida noturna e fullgás, ou duas princesas juntas, ou príncipe com príncipe não importa!!Cada um tem seu projeto de magia e felicidade. Mas encarar a vida como um conto-de-fadas é bem melhor. Afinal todo ' era uma vez ' termina com um ' felizes para sempre'.

Polli Veras

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010


Nós,
fartos de vivência pão e circo.
Que tanto revolucionamos nossos desejos
Continuamos inertes ao tempo,
nutridos de capacidade intelectual de vivência
porém pobres para guiar o próprio destino.
Que se constitui da verdadeira vontade de expôr nosso mundo reprimido.
A rota do que deveria ser
ganha outros céus.
O desvio gerado pelo medo
lança-nos no portal da diferença suprimida.
E emplaca
e enquadra
Iguala.Estigmatiza.
Congelados de coragem.
E caimos no não-querer do que tem que ser feito, imposto.
Mas ao menos deitamo-nos no chão
e enxergamos o modo que a terra vê o mundo.


Polliana Veras

Mar de lembranças


Essa rotina de molhar o travesseiro
Faz questionar-me
o poder da noite de ressuscitar lembranças
De dar vida ao que perdeu a alma
De fazer o passado retornar afoito
sufocando-me de culpa.
Porém não é triste
Pois a causa é iluminada.
Inatingível e purificada.
quero o nosso absurdo nesse instante
O seu olhar invasivo
com capacidade de desfazer o verbo
Quero o nosso impossivel real
A nossa luz acessa
sem risco de apagar a chama
Que chama.
ama.

Polliana Veras

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Lis


Vento que passa ditando ser pluma leve
entorta a flor de quem não a segura
envolve as pétalas que restaram do ramo.
Faz e floresce.
Espuma a sutileza da semente.
Que germina.
E enlouquece perpetuamente sobre seus novos ramos espinhosos.
Porém cheios de leveza
suporte de tempestade
estandarte de vendaval.
Supera, ultrapassa, segue.
Despetala
perde ramo, perde flor.
Fica espinho, fica terra.
Fica o centro.
O que é de dentro.
Que não se resgata, intacto de fenômenos naturais.
Pura essência filosófica.
Pura teoria marxista.
Pura verdade.
Seja a minha
ou sua.


Polliana Veras

domingo, 20 de dezembro de 2009

Precipício propício





Não me prendem
as palavras jogadas por medo de perda.
Quero liberdade do órgao que bombeia o sangue.
Quero o sangue correndo na veia por vivência árdua
não por pura vitalidade de manter-me viva.
Não quero mais traços no rosto
feitos de uma idade que não tenho
Quero nitroglicerina.
Diversidade.
Tudo que acho é a minha certeza.
Acho que o amor está por vir.
Amor de marinheiro.
Em cada porto um desapego.
Fidelidade ao amor livre
Duração de um instante
intenso como um pôr-do-sol
que por ser único, prisioneiro de lembranças.
Quero encontrar um lugar
onde seja permitido quaisquer palavras
e salvar tudo com alguma poesia.
Fim de tarde.
Fim do dia.
Rasguei o espaço da minha ausência
com a liberdade do discurso insano.
Já não desejo mais sonhar nesta vida.
E ainda sim, amo.
Acho.

Polliana Veras

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Grandes Navegações





Olhar fundo de horizonte
Que de tão distante
impede a descoberta da linha reta sem fim.
Descobrir teus mares
risco de encontro com monstros lendários.
Não explorar-lhe
tolice medieval de antigos navegantes.
Jurava que teu fim não fosse abismo...
Epifania!
Moldas-te teu mundo tão quadrado quanto a mente.
Falsas sereias do teu abissal
camuflam em beleza
o teu umbral interno.
Que de tanto desviar a rota de quem te navega
Feneceu afogado
em tua própria água.


Polliana Veras

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009





Será assim e só.
O desatar dos nós.
O enfim sós, da distância discrepante.
Com um toque de silêncio
faço, sofro e saliento
que a volta não será breve.
Que mais de uma vez encontrarei a neve
E o amor que não se descreve
guardarei como uma pluma leve
no peito que dói
aperta
mas não cede.



Polliana V.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Levou-te ao céu.
Mostrou-lhe os anjos
as cores
as divindades.
Empurrou-te sem dó.
Alcançou o inferno
conheçeu o fogo
a dor
o escuro.
A alegria que te fez plena
mudou teu plano.
E a dor que trás,
ensinamento.
Suga dela o valor que lhe carrega.
Faz tua vida.
Molda o mundo.
Monta teu céu.
Porque a vida só voa,
se lhe der asas.


Polliana Veras

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Voar


Asas entranham-se em meu corpo apto e louco pela liberdade.
Só estava a espera do grande salto.
Rompeu-se o casulo.
As ideologias encontram-se formadas.
A interioridade saiu da corda bamba.
Mágica de circo.
Guardo em mim o estupor de uma borboleta
que apesar de vida breve
faz-se intensa e marcante após a metamorfose.


Polliana Veras

domingo, 22 de novembro de 2009

Eis a questão.


O que vai ser quando crescer?
Cresci, sou?
Não fui? Não era?
Se ser é existir
tenho casa, nome, profissão
Então sou?
Serei ou estou?
Escolho ser
ou sou a escolha?
O ser é a existência?
Ou existe-se para ser?
Construi-se o ser
ou entregamo-nos ao fardo
de um existencialismo programado.
A existência não tem prosódia.
Prefiro 'esqueSer'.

Polliana Veras

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Au revoir Brésil...


Óh meu lugar com nome de planta.
De eterna folia-de-reis no planalto central.
Terra de sons diversos.
De miscigenação aparente na cara dos seus.
És tão imenso que meus olhos não te alcançam.
Tenho tua ginga no meu sangue.
Enraizado.
Quero ser tua representante em cada canto.
Quero deixar a marca
sendo uma digna filha
deitada em berço esplêndido.
Passarei pelos quatro cantos do globo:
direi aos chineses que o Paraguai é logo ali!
Aos árabes que o petróleo é nosso!
Falarei aos russos do sabor da Ypióca..
O gosto do dendê aos italianos
Do cheiro da natura natureza aos franceses.
Quero levar teu nome tupi a quem te difama.
Orgulho-me de ti
mesmo fora das olimpíadas.
Sei que muitos abusaram do teu " jeitinho característico ".
Mas mesmo estes
sabem fazer de ti,
no luxo ou no lixo,
o melhor lugar pra se viver.


Polliana Veras

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Renascer




Não me falaram que o coração ficaria oco
as palavras vagas, vazias.
Que um dia em cinzas me tornaria
que a flor derramaria as pétalas
que a seca tomaria o rio.
Tristeza ,
a mim você nao cabe..
quando vem
chega feita de tanta intensidade
que me desestrutura
me rasga, dilacera.
Mas sou mais forte, derrubo-te.
Nossas energias entram em choque.
Não sei te ter.
De mim não faz parte.
Sou sol raiando depois da chuva
sou lua indo embora depois da noite.
Aurora do dia.
Minhas cinzas são adubo pra um novo ser.
Fortaleço.
Recupero.
Minha vivência pedi luz.
Sou feita de alegria.
Engulo amor.
Vomito ódio.
Estou pronta.
Recomeço.


Polliana Veras

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Homem dos meus sonhos.



Me pegaste.
Agora encontro-me camuflada de folhas secas deste pomar vasto.
Entrelaçada com os seus braços
desenhados de carne dura.
Meus cabelos confundem-se com o enlaçamento atônito das tuas mãos.
Vejo-me perdida de estupor
e ao mesmo tempo afoita
por acreditar que aquela magia findaria.
Decido quebrar as grades da razão
e deixo confundir-me com o envolvimento
que faz sua respiração incessante.
Por mais que me aprofundes
ainda parece muito distante
do quão te quero perto, dentro.
Meu suor envolvido com o seu
faz grudar as folhas em nossas peles
fatigadas de esforços sublimes.
E o que mais desejo
é fixar minhas raízes em seu corpo
gerando um só ser
naquele palco de energias libidinais.
Por um momento cheguei a pensar
que desapareceria para sempre em suas profundezas.
Tua boca parece fruto de alguma daquelas árvores.
Tua barriga de tão esculpida
parece obra Vinciana.
Transbordas desejo de domínio neste olhar feito de malícia.
Um formigamento começa nos meus pés
percorrendo com indolência meu ser vivo
e incessantemente abstinado de ti.
E dança por um longo caminho.
Nervo a nervo.
Até provocar-me um curto de energia interna
profundamente divina
que qualquer tentativa de descrição
diminuiria sua magnitude.
Despertando-me.
Restando apenas a espera de mais um incessante dia
para encontrar-lhe novamente
no mundo dos meus sonhos.


Polliana Veras

domingo, 8 de novembro de 2009

Lunar



Encontro-me numa dimensão superior transcedental
energias diversas percorrem sobre meu corpo irradiado de felicidade.
Deparo-me diante a lua reluzente sobre meu ser vibrante.
Encaro-a penetrantemente sobre sua luz enérgica
que entra em fusão com meu corpo transbordante de emoções puras.
A dança de luz do trajeto de sensações que bailam no meu eu
transborda e entra em contato com a irradiação lunar.
Não possuo controle sobre o percurso dessas sensações
e as deixo percorrerem livremente a caminho do encontro cósmico
entre o satélite e o mais puro nível do meu ser.
A pureza desse movimento
tem o poder de desprender meu âmago de sentimento puro
e elevar até o seu ser materialmente distante.
Essa mesma força que me desprende
me confirma o transporte de vibração levado a você.
Reafirma a magnitude da nossa sintonia. Desregulada.


Polliana Veras

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mistério do Planeta


Enviado chamando, enviado chamando!
Tenho muito a dizer sobre a Terra.
Sem paz ela prossegue, de praxe.
Ainda há fome e violência.
Da desigualdade e miséria
não há palavras para descrição.
Destruição do planeta, devastação ambiental.
Gases poluentes multiplicam-se.
Governantes ensinados a enganar.
Ah, meus conterrâneos...
ainda são donos de muita mesmice!
Porém meus caros, informo-lhe o maior causador do meu espanto.
A nossa maior esperança para tornar esse planeta em fênix
Tem exalado-se de forma descontrolada.
Os jovens com ânsia de mudar são poucos.
Encontram-se presos as novidades globalizadas.
Perderam o dom de pensar.
Não buscam seus direitos.
Acomodaram-se.
Logo eles,
netos dos que lutaram pela liberdade de expressão
filhos dos que buscaram a democracia.
Eles assistiram impecheamts!
Eles meus caros
que nasceram numa época livre
Hoje encontram-se enclausurados
Presos numa era mecânica, robótica.
Sem sede de livros.
Onde tudo é virtual, fictício.
Os Novos Baianos já não existem meus amigos!
De Moraes Moreira já nem se falam.
Vida imaginária.
Já não possuem contato íntimo com a natureza.
Vejam! Eles não a sentem!
Escutem o que eles ouvem...
Eles já não sentem sons
nem ouvem cores
não lêem toques.
Nem digo o que fizeram com o amor...
Até o amor virou capitalista!
Vendem amor.
O amor interessa-se pelo poder.
Pelo prazer, pelo dinheiro.
E quando o sentem de fato, são egoístas
querem só pra si
O torna obsessivo
Limitaram o amor a simples sentimento de posse.
Já não sabem o que é amor real.
Existem muitos que desistem da vida.
Dirigem com álcool no sangue
ou inalam coisas brancas, tóxicas.
Sim, muitos deles não aguentam
e se matam aos poucos.
Mas ainda existe,
alguns raros é verdade,
aqueles que enxergam o mundo com poesia.
Que lutam. Por mudança.
Mesmo que seja dentro de si.
Perceberam que a mudança de um todo
só é possível com a transformação interna das unidades.
Residem em um universo paralelo.
Aqui mesmo na Terra.
Mas que é envolto por uma fina camada de pureza que os separam dos outros.
Ah...
Esses jovens foram crianças cristais.
São jovens energizados de positividade
que tem a tendência natural de unirem-se.
Eles possuem imãs internos
e se juntam, andam em bando.
Sempre julgados por suas vestes confortáveis.
Sempre estigmatizados por fazerem uso de uma planta medicinal.
Mas sempre com a cabeça livre.
Aberta pro mundo.
Pra sentir o mundo.
Sentir o real.A liberdade.
Seus princípios são outros.
E vos falo meus conterrâneos,
esses jovens não tem limitações de idade.
Depois que estipulam seu verdadeiro eu diferenciado
possuem o poder de manter-se eternamente jovens.
Já sinto a vibração de uma nova era.
Sinto que é hora da vinda dos meus para esse universo.
Vamos, venham!Já é hora.
Juntamo-nos a eles
e faremos uma revolução interior nos terraqueos.
Vem, é chegada a hora.
Desce e trás o vinil dos baianos.
Meu ouvido está elétrico.

Polliana Veras